🇧🇷 WESLEY DUKE LEE | artiste peintre | São Paulo | 03.02.1988

Brazil, Interview, Musée art moderne, MUSEO DE ARTE, Pintor

linguagem 🇫🇷

Lee ( malheureusement décédé le 12 septembre 2010) était un petit-fils d’Américains et de Portugais et commença son apprentissage de l’art dans le cours de dessin du Musée d’Art de São Paulo, en 1951. L’année suivante, il partit aux États-Unis pour étudier à la Parsons et à l’AIGA, à New York, jusqu’en 1955. Il y découvre les œuvres de Robert Rauschenberg, Jasper Johns, Cy Twombly et le Pop art en général. De retour au Brésil, Lee abandonne sa carrière publicitaire et étudie la peinture avec Karl Plattner, qu’il rejoint lors d’un voyage en Italie et en Autriche en 1960. Lee se rend également à Paris, où il suit des cours à l’Académie de la Grande Chaumière et à l’atelier de Johnny Friedlaender. De retour au Brésil, en 1963, Lee commence à travailler avec de jeunes artistes et interprète le happening O Grande Espetáculo das Artes (« Le Grand Spectacle des Arts » en portugais) au Bar João Sebastião, à São Paulo. Cela a été considéré comme l’un des événements les plus pionniers au Brésil.  Avec Maria Cecília, Bernardo Cid, Otto Stupakoff et Pedro Manuel Gismondi, entre autres, il fonde un groupe dédié au réalisme magique. En 1966, il rejoint un groupe appelé « Grupo Rex » mais cela ne durera que jusqu’en 1967.

Wesley Duke Lee (São Paulo SP 1931 – idem 2010)

Desenhista, gravador, artista gráfico, professor.

Faz curso de desenho livre no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), em 1951. Um ano depois, viaja para os Estados Unidos e estuda na Parson’s School of Design e no American Institute of Graphic Arts, em Nova York, até 1955. Nessa época, acompanha as primeiras manifestações da arte pop e vê trabalhos de Robert Rauschenberg (1925-2008), Jasper Johns (1930) e Cy Twombly (1928-2011). No Brasil, em 1957, deixa a publicidade e torna-se aluno do pintor Karl Plattner (1919-1989), com quem trabalha em São Paulo e, posteriormente, na Itália e na Áustria, até 1960. Nessa época, vive também em Paris, freqüenta a Académie de la Grande Chaumière e o ateliê de Johnny Friedlaender (1912-1992). Retorna ao Brasil em 1960. Em 1963, inicia trabalho com os jovens artistas Carlos Fajardo (1941), Frederico Nasser (1945), José Resende (1945), Luiz Paulo Baravelli (1942), entre outros. Nesse ano, realiza, no João Sebastião Bar, em São Paulo, O Grande Espetáculo das Artes, um dos primeiros happenings do Brasil. Procura organizar um movimento artístico, o realismo mágico, com Maria Cecília (1928), Bernardo Cid (1925-1982), Otto Stupakoff (1935-2009) e Pedro Manuel-Gismondi (1925-1999), e outros. Em 1966, com Nelson Leirner (1932), Geraldo de Barros (1923-1998), José ResendeCarlos Fajardo e Frederico Nasser, funda, como reação ao mercado de arte, o Grupo Rex, que existe até 1967.

Comentário Crítico

Wesley Duke Lee é pioneiro na incorporação dos temas e da linguagem pop no Brasil. Em 1963, cria o movimento realismo mágico, com Marcia Cecília, Pedro Manuel-Gismondi, Otto Stupakoff e Carlos Felipe Saldanha. O aspecto figurativo do movimento é uma alternativa à academicização do abstracionismo no Brasil. Ainda em 1963, ensina artistas como Carlos FajardoFrederico NasserJosé Resende e Luiz Paulo Baravelli. Duke Lee trabalha intensamente com esses alunos, por cerca de dois anos. No período, o trabalho do pintor sai do plano e ganha o espaço tridimensional. Obras como O Trapézio ou Uma Confusão, 1966 e O Helicóptero, 1967 já se articulam como ambientes. Em 1969, mora na Califórnia, onde faz experiências com novas tecnologias e leciona na Universidade do Sul da Califórnia, em Irvine. Durante a década de 1970, lida com outras tradições, como a cartografia, a caligrafia oriental e os desenhos de botânica.

Nessa exposição, realizada no já extinto João Sebastião Bar, em São Paulo, Wesley fez a leitura de um protesto, em forma de agradecimento, contra os críticos de arte, enquanto nascia o “Realismo Mágico”, movimento com tendências narrativas, sob a ascendência da arte pop, mas enraizado no surrealismo. Ainda em 1963, realizou sua primeira mostra individual, em Milão, na Itália. Em junho de 1966, Wesley Duke Lee, Nelson Leirner, Geraldo de Barros e alguns de seus discípulos, fundam o “Grupo Rex”, marcado pela irreverência, humor e crítica, incomodados com a situação da arte no país. Fundam também a Rex Gallery & Som, mas o grupo teve vida curta, durando até maio de 1967.

Wesley Duke Lee não evitava a provocação nem fugia de uma polêmica. Nos anos 70 rompeu com o círculo artístico vigente, após ter seu manifesto publicado na imprensa, no qual dizia que daquele momento em diante exporia somente em museus e salas públicas. Durante seis anos retirou-se do mercado de arte, só voltando em 1976. Wesley era um destacado desenhista e se valeu dos mais diversos meios e materiais para expressar sua arte, fazia uso do nanquim e da pintura por computador. Para muitos críticos, sua obra significou a virada da arte moderna para a arte contemporânea no Brasil.

Wesley Duke Lee faleceu em São Paulo, no dia 12 de setembro de 2010.

🇧🇷 EDOUARDO ESCOREL | cinéaste

Brazil, Censura no brasil, Censure au Brésil, Cinema, Ditadura no brasil, Embrafilme, Interview

linguagem 🇫🇷

Eduardo Escorel de Morais (né en 1945), plus connu sous le nom d’Eduardo Escorel, est un monteur et réalisateur brésilien. Il a fait ses débuts en tant que monteur sur Le prêtre et la fille de Joaquim Pedro de Andrade (1965). Avec son premier long métrage, Lição de Amor, il remporte le prix du meilleur réalisateur au Festival du film de Gramado en 1976. Il a également reçu le prix du meilleur réalisateur pour son deuxième film, Ato de Violência, cette fois au Festival du film de Brasilia en 1980. Il a remporté le prix du meilleur montage pour Guerra Conjugal et O Chamado de Deus respectivement au Festival du film de Brasília en 1974 et 2000, et pour Dois Perdidos Numa Noite Suja au Festival du film de Gramado en 2002.

Eduardo Escorel de Morais (São Paulo1945) é um montadordiretor de cinema e professor brasileiro.

Eduardo Escorel e a política dos arquivos: notas sobre a trajetória de imagens de um cortejo fúnebre no Brasil de 1968.

Filmographie

🇧🇷 JACQUELINE LAURENCE | atriz, diretor franco-brasileira

ator, Cinema, Interview, Rio de janeiro, Teatro, Théâtre

linguagem 🇫🇷

Jacqueline veio para o Brasil ainda adolescente, acompanhando o pai que era jornalista ( 17 de junio de 2024 – lamentablemente falleció). Entre 1955 e 1957, participou da primeira turma da FBT (Fundação Brasileira de Teatro), ingressando posteriormente em O Tablado e A Comunidade.Depois de passar quase toda sua carreira na Rede Globo, em 2010 foi contratada pela Rede Record para atuar na telenovela Ribeirão do Tempo. Sua passagem pela emissora foi breve. Logo em 2011, assinou um novo contrato com a Rede Globo, para atuar na telenovela Aquele Beijo, de Miguel Falabella. Francesa de Marselha, Jacqueline Laurence veio para o Brasil na adolescência e, entre 1955 e 1957, integrou a primeira turma da Fundação Brasileira de Teatro (FBT), escola de Dulcina de Morais, onde foi aluna de Adolfo Celi, Henriette Morineau, Gianni Ratto, Maria Clara Machado, Ziembinski e da própria Dulcina.
Continuou sua formação no Tablado, atuando com destaque em diversas montagens dirigidas por Rubens Corrêa, Yan Michalski e pela fundadora do próprio teatro-escola, Maria Clara Machado.
No final dos anos 1960, fez parte do grupo A Comunidade, de Amir Haddad, que a dirigiu em O Marido Vai à Caça, de Georges Feydeau (1971) – montagem que lhe garantiu prêmio de Melhor Atriz. Tem seu talento para a comédia reconhecido pelos críticos.
Em 1982, recebeu o Troféu Mambembe como Melhor Atriz por dois trabalhos: Madame de Sade, de Yukio Mishima, e As Criadas, de Jean Genet. Em 1984, passou a atuar também como diretora, assinando espetáculos estrelados por Fernanda Montenegro e Miguel Falabella, entre outros. Ainda na década de 1980 se envolveu com o chamado teatro besteirol, que invade a cena carioca.
Na TV, fez sua estreia em 1972, na novela Uma Rosa Com Amor, já tendo atuado em cerca de trinta produções; no cinema, fez mais de uma dezena de filmes. A atriz começou em televisão, em 1968, na famosa novela: ” Antônio Maria”, de Geraldo Vietri, na TV Tupi. Depois ela passou para a Rede Globo e em 1972, participou de ” Uma Rosa Com Amor”. Em 78,fez: “Dancin’Days”, novela que também marcou época. Em 80, fez: ” Água Viva” e ” As Três Marias”. Em 82: “Sétimo Sentido”.Em 1994, Jacqueline Laurence passou para a Rede Manchete e fez: ” A Marquesa de Santos”. Em 85: “Tudo Em Cima”.Voltou para a Globo, em 1986 , e fez: ” Cambalacho”. E outra vez na Manchete em 86, participou de: ” Dona Beija”. Mais uma vez na Globo, fez em 87: ” Bambolê”. Em 89: “Top Model”. Em 90, foi para o SBT e fez: ” Brasileiros e Brasileiras”.Em 91, na Globo fez: “O Dono do Mundo”.Em 94: ” Acidente em Antares”.Em 96: ” Salsa e Merengue”. Em 97: ” Sai de Baixo”,um seriado humorístico . Em 99: “Você Decide”. Em 2001, fez a novela: “As Filhas da Mãe”.Em 2004, fez: ” Da Cor do Pecado” e “Senhora do Destino”. Em 2005: “A Lua Me Disse”. Em 2006: “Cobras e Lagartos”. Em 2007:” Malhação”, o seriado: “Toma Lá Dá Cá” e a novela: ” Desejo Proibido”. Em 2008, fez na TV Bandeirantes: ” Água Na Boca”.

Née en France, Jacqueline Laurence a suivi dans sa jeunesse son père, journaliste, au Brésil. Depuis 1955, elle joue au théâtre. Elle a été choisie pour interpréter des œuvres d’Albert CamusJean GenetMiguel Falabella et d’autres auteurs modernes et contemporains. Depuis 1984, elle est également directrice de théâtre, une activité pour laquelle elle jouit d’une haute estime par les critiques. Jacqueline Laurence est également apparue dans plusieurs films et telenovelas de Rede Globo dans lesquels elle interprète souvent des rôles de femmes d’origine française ou des enseignants de langue et de littérature française.

🇧🇷 SÉRGIO MAMBERTI – actor – director – producer – author – playwright – politician

ator, Brazil, Censura no brasil, Censure au Brésil, Cinema, Dictature, Ditadura no brasil, Funarte, Interview, Politic, Racism, Rio de janeiro, Teatro, Théâtre

linguagem 🇫🇷

Sérgio Mamberti was born in Santos, São Paulo. ( September 3, 2021 – unfortunately passed away). He is a graduate of the School of Dramatic Arts of São Paulo, and has been a playwright for more than 50 years. He is brother of the deceased actor Cláudio Mamberti.

Affiliated to the Workers’ Party (PT), Sérgio occupied during the Lula Government several positions within the Brazilian Ministry of Culture:Secretary of Music and Performing Arts. Affiliated to the PT, Mamberti took a stand against the impeachment process of Dilma Rousseff . In 2018, he played his character Dr. Victor together with actors Pascoal da Conceição (Dr. Abobrinha) and Eduardo Silva (Bongô) to ask for votes from the then PT candidate Fernando Haddad . Also that year, he protested against the arrest of President Lula participating in the Lula Livre movement .

Born in 1939, in the city of Santos , on the coast of São Paulo , Sérgio graduated from the scenic arts course at the School of Dramatic Art at the University of São Paulo (EAD). He made his theater debut in the play Antígone América written by Carlos Henrique Escobar, produced by Ruth Escobar and directed by Antônio Abujamra .

After the play in 1963, he joined the theater group Decision, along with names like Abumjara, Glauce Rocha and Plínio Marcos . For the group he participated in the play O Balcão de Jean Genet which earned him the Governor Award of the State of São Paulo, in the category ‘best supporting actor’.

In the 1970s, together with his brother Cláudio Mamberti, he participated in numerous plays in the São Paulo capital, working with important names of Brazilian dramaturgy such as Beatriz Segall , Regina Duarte and Paulo José .

In the 1980s, he played Galeno Sampaio in Rede Globo ‘s soap opera Brilhante . In 1984, he played King Claude in the play Hamlet , by the Englishman William Shakespeare organized by Marco Aurélio. In the same year, Argan lived in the play Tartufo , by Molière, sharing the play with Paulo Autran , under the direction of José Possi Neto . In 1998, he lived one of his most striking characters Eugênio , homosexual butler of Celina ( Nathália Timberg ), in the Vale Tudo deGilberto Braga .

Still in the 1980s, he was one of the founders of the Workers’ Party (PT) of whom he effectively participated in the process.

In the 1990s, he lived one of his most memorable characters Dr. Victor in the juvenile program Castelo Ra-Tim-Bum of TV Cultura .

After the election of Luiz Inácio Lula da Silva in 2002, Sérgio participated in the cultural part of the government, holding positions and participating in councils.

In 2013, lived the villain Dionísio in the soap opera Flor do Caribe . In 2016, he made his debut in streaming services in the 3% series produced by Netflix .

In 2017, he was honored at the São Paulo Legislative Assembly (ALESP) on the actor’s day. In 2018, he won the APCA Critics Grand Prize .

In 2019, it gained prominence in the play ‘The Golden Egg’ which tells the story of Jews who were forced to kill other Jews in Nazi Germany .

Filmography

Reference in acting, Mamberti is remembered for having represented many characters with strong personality. Among his most important and most remembered works by the public, it is important to highlight the cult cupbearer Eugênio de Vale Tudo , the sweet and wise Dr. Victor from the children’s program Castelo Rá-Tim-Bum and, more recently, the Nazi executioner Dionísio Albuquerque de Flor the Caribbean . In addition, he performed brilliantly in films , series , miniseries and other specials.

Awards and nominations

In 1962, he won the Moracy do Val award from the newspaper Ultima Hora in the category ‘revelation actor’ for the show Antígone – América. In 1964, he received the ‘Saci Award’ for Theater, which was organized by the newspaper O Estado de S. Paulo in the category ‘Best Supporting Actor’ for the play O Inoportuno.

In 1969, he received the ‘ Governor of the State of SP Award ‘ in the category ‘Best supporting actor’ for his performance in the play O Balcão. In the following decade he received more awards such as the Molière Prize in the category ‘Best actor’ in 1975 for the play Réveillon . In the previous year, Mamberti had been nominated for the same award in the same category for the play The Game of Power.
Also play Réveillon won the category ‘best actor’ of the Governor Award of the State of SP, the APCA Award – Theater / São Paulo Association of Art Critics – SP and Veja SP Magazine .

As a director in 1982, he received the award for ‘Best show’ for his play Coração na Boca in an award ceremony in Rio de Janeiro . In 1989 he won the category of ‘Best Supporting Actor’ for the soap opera Vale Tudo in which he played Eugênio.

In the 1990s, in 1995, he won the Mambembe Award for ‘best supporting actor’ for the show Pérola. The following year, he won the Sharp Award for ‘best actor’ also for the play Pérola. In 1997, he won the APETESP Award for ‘best actor’ also for Pearl.

In 1998, he won the International Lumière Award. He also received the ‘Patrimônio de Bauru’ award from the municipality of the interior of the state of São Paulo.

In 2008, it received the highest cultural level award in the country Order of Cultural Merit (WTO).

In 2018, he received the APCA Critical Grand Prix .

Sérgio Mamberti resgata histórias de sua vida em autobiografia

Sérgio Mamberti: ‘esse governo que nós temos é trágico

O renomado ator, diretor, produtor e artista plástico, Sérgio Mamberti é o convidado desta semana no Fórum Sindical. Com personagens marcantes, Mamberti sempre se reinventou e transformou a arte brasileira. Sua carreira de mais de 50 anos no teatro, cinema e televisão se funde com a história da arte e da política brasileira. Agora, octogenário, escreve sua autobiografia em parceria com o jornalista Dirceu Alves Jr: “Sergio Mamberti: senhor do meu tempo”, publicada pelo SESC. Participam: o jornalista Altamiro Borges e Rubinho Giaquinto.

🇧🇷 PAULO YUTAKA – ator – performance Butõ

ator, Brazil, Butō, Interview, Performance

linguagem 🇫🇷 – Sāo Paulo 04.02.1988

Encontré em Sāo Paolo 4.02.1988, fue una actor, performance Butō teatro de vanguardia.

anos 80, Paulo Yutaka voltava de Amsterdã depois de um exílio com o Grupo Oficina na década anterior. Trazia o espetáculo solo “Bom dia Cara” que trazia questões sobre crise de identidade, do ser mestiço (meio japonês, meio brasileiro) e estar fora de lugar (de seu país).

Aqui Yutaka encontrou com Luíz Roberto Galízia, que retornava de Nova York depois de um período pesquisando as obras de Bob Wilson. Em fins de 1982, em conjunto com outros atores, Yutaka realizava, em criação coletiva, apresentações experimentais como Tempestade em Copo d’Água, sob a coordenação de Galizia. O espetáculo trazia a dificuldade de harmonizar conceitos ocidentais e orientais de ética, filosofia e comportamento. Nascia o Manifesto Ponkã, escrito por Ubiratã Tokugawa (Paulo Yutaka), em 1983. Da fundação participam Paulo Yutaka, Celso Saiki, Carlos Barreto, Ana Lúcia Cavalieri, Milton Tanaka, Hector Gonzales, Graciella de Leonnardis e o Galizia. Seguiram-se ponkãlipse, O Próximo Capítulo, o Ballet da Informática O Primeiro Capítulo.

Eu entrei no grupo em fins de ’85, quando iniciava-se a montagem Pássaro do Poente, um texto de Carlos Alberto Soffredini, extraído de uma lenda japonesa, sob a direção de Marcio Aurélio. A montagem teve grande repercussão e foi apresentada também em Portugal.O grupo era composto por filhos e netos de imigrantes orientais e ocidentais e o Ponkã, tal como a fruta mestiça da mexerica e laranja, buscou articular uma síntese teatral que expressasse essa condição.

Ponka

A exemplo da fruta que é uma mescla de laranja e mexerica graças à engenharia de genes, o Grupo de Arte Ponkã queria ser visto como produto de miscigenação. Seu primeiro espetáculo, Tempestade Em Copo D’Água, nasceu da ausência de papéis para um grupo de atores que, apesar da herança de seus traços orientais, poderiam interpretar qualquer papel nos palcos, segundo diversos diretores e críticos teatrais da época. Todavia a literatura, o teatro, o cinema e a televisão quase sempre reserva uma visão exótica do oriental, num patamar subalterno, caricato e limitado. Reproduzindo as palavras do próprio Celso Saiki: “Estamos cansados de ser os ‘Tanakas’, ‘Noris’, ‘Takeshis’, ‘Katayamas’. De ser caricaturas do que já não somos. Queremos ser ‘Celsos’, ‘Paulos’, ‘Miltons’, rapazes brasileiros que comem feijoada, gostam de caipirinha e amam também as praias, o sol, o ‘rock’, como qualquer outro descendente de imigrantes.”[1]

Foi produzindo seus próprios espetáculos que os integrantes do Grupo Ponkã viabilizaram o que queriam. Ainda segundo Celso Saiki: “Sei que eu, os atores e as atrizes descendentes de japoneses vamos ‘comer grama’, como o Grande Otelo e o Milton Gonçalves. Integração racial? Isso é só panfleto. Eu, Celso, nascido brasileiro, com o mesmo grau de cidadania que qualquer outro, tenho o direito de pisar um palco e fazer qualquer papel, porque sei fazer. Há uma geração de mestiços tentando abrir caminho, mas que não reivindica nada, apenas sua capacidade profissional reconhecida.”[1]

Além de Celso Saiki, a formação inicial do Grupo de Arte Ponkã contava com os atores Ana Lúcia CavalieriCarlos Barretto, Paulo Yutaka, pelo bailarino Milton Tanaka e pelos músicos Alcides Trindade (Cidão), Graciela De Leonardis e Hector Gonzalez. Para a montagem de Pássaro do Poente outros profissionais juntaram-se ao Grupo.